Palacio do Buriti

Palacio do Buriti - Crédito da foto: Neyvan Pecanhuk

Por conta de estar participando da iniciativa do #adoteumdistrital tive a oportunidade de me encontrar com a Subsecretária de Transparência Claudia Taya e sua assessora Maria Helena, no anexo do Buriti. O objetivo do encontro foi falar sobre o adote e poder divulgar a idéia do thacker.

O encontro foi bem rápido – usei o final do meu horário de almoço – mas pude apresentar a idéia do thacker – cidadãos poderem utilizar e desenvolver com base em dados de governo – e salientar para a Secretária a oportunidade que o governo do Distrito Federal tem, na reformulação do seu portal de transparência – atualmente risível -, de fornecer esses dados de forma mais aberta possível.

Na fala delas, apresentaram que existe sim uma intenção em priorizar a transparência como política de governo – a própria criação da subsecretaria pode ser vista assim – e que o portal de Transparência do DF incluirá mais informações que àquelas obrigadas pela Lei Complementar 131. Por outro lado, apontaram que existe, nas diversas secretarias do GDF, um problema de padronização e qualidade dos dados.

Durante e depois da conversa, fiquei pensando em como poderíamos atuar para ajudá-la a cumprir sua missão. Tenho convicção que ela enfrentará oposição, principalmente ao se tratar de disseminação das informações públicas de forma mais ampla e acessível. Por mais que o novo Governador tenha a prerrogativa de “baixar um decreto” obrigando todo órgão e secretaria do GDF a publicar seus dados em formato aberto, também enfrentará resistências.

Crédito: Imageshack.us

Por que não criamos colaborativamente um projeto de lei que obrigue os entes públicos dos três poderes a disponibilizar as informações de gestão financeira, pessoal, estatísticas, enfim todo dado produzido com dinheiro público, de forma aberta na web? Isso certamente amarraria os gestores aos ideais de transparência desse novo século, já que liberar dado aprisionado em longos e custosos PDFs não é sinônimo de transparência pública.

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Na leitura do post sobre o lançamento do legislation.gov.uk (dica do @hermann) consegui pinçar algumas coisas interessantes. Primeiramente, se trata de um portal que sistematiza toda a legislação Britânica, numa interface bastante amigável. Os usuários podem ter acesso à versão completa das leis ou de apenas algumas seções, uma linha do tempo com o histórico de alterações, e tudo de forma bastante intuitiva. O resultado também pode ser exportado em PDF.

Interessante notar que, segundo o post, o publico alvo desse serviço é o cidadão comum, já que a grande maioria dos advogados e profissionais que utilizam a legislação britânica no seu trabalho, já são clientes de serviços profissionais de consultoria. Conforme o artigo: “Nossos usuários são pessoas que precisam saber o que uma lei diz, e procuram isso no Google. Eles então poderão rapidamente achar o caminho para o legislation.gov.uk“.

pagina do legislation.gov.uk

Porém, para o ponto de vista da comunidade thacker o mais sensacional do site está naquilo que não é visível: Ele foi desenvolvido em cima de uma API pública e aberta. Conforme já discutido por David Robinson os governos devem ter como meta básica a disponbilização do acesso aos dados para depois trabalharem nas visualizações, numa competição benéfica com a própria sociedade. Assim foi o processo de construção do legislation.gov.uk e é super fácil brincar com a API. Por exemplo, ao visualizar a legislação sobre controle de cães da Escócia (http://www.legislation.gov.uk/asp/2010/9), pode-se obter o mesmo documento no formato XML adicionando o texto “/data.xml” no final do endereço que aparece no navegador (http://www.legislation.gov.uk/asp/2010/9/data.xml). Se quiser os metadados desse documento/lei no formato RDF/linked data (web semântica) basta fazer o mesmo e adicionar o texto “/data.rdf” (http://www.legislation.gov.uk/asp/2010/9/data.rdf). O mesmo vale para as listagens de leis. A lista dos atos do parlamento do Norte da Irlanda (http://www.legislation.gov.uk/apni) pode ser obtida em formato ATOM simplesmente ao adicionar o texto “/data.feed” no final da URL (http://www.legislation.gov.uk/apni/data.feed).

As URLs ou links também seguem um padrão chamado PRESTO que, simplificando bem, diz respeito a disponbilização da característica da informação, com a maior granularidade possível, no próprio endereço do documento. Por exemplo, a primeira seção da lei britânica de proteção de dados pessoais é referenciada com uma URL assim: “/ukpga/1998/29/section/1“. Para mudar de seção, basta substituir o número “1″ pelo número de qualquer outra seção. Além disso, as URLs permitem voltar no tempo. Para ver como era essa parte da lei no ano de 1998 (revisão antiga), basta incluir a data no endereço: “/ukpga/1998/29/section/1/1998-07-16“. Além desses exemplos, é possível também referenciar no endereço dos links outras informações como a palavra “/enacted” se referindo à versão original da lei.

Para quem achou interessante, recomendo mesmo a leitura do artigo completo, que fala um pouco também de como o legislation.gov.uk já está fazendo um uso básico de linked data (web semântica), pelo menos no que se refere a informações bibliográficas dos documentos legais.

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